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Como a cor do barco refletido no espelho da lagoa,
mesmo a sacolejar,

como árvore no deserto avistada ao longe e a
gana de lá chegar,

como folhas insistentes após a poda,
é minha vontade de viajar.

Como ler notícia boa lá de longe,
com chineses, indianos, butanos estudar,

me preenche como chocolate o
gosto de aventurar.

A mala retorna pesada de sabedoria, paga excesso de
bagagem e trás uma vontade, as vezes,
de lá ainda estar.

Ao se retornar, do tamanho do tempo que se
demorou é a certeza do que
ficou custa a mudar.

Quase uma decepção quer de mim se apoderar,
mas não deixo, porque é esta a minha alegria ao voltar.

Budapeste-Hungria


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