impulsiona meu rosto contra o travesseiro.
Com olhos deitados miro a parede.
Ela me espreita. Sufoca-me até a a alma doer.
Impede de chegar até mim o reflexo da lua ou do sol,
se é que já amanheceu.
Compreendo e agradeço a desproteção que nunca me causou,
mas saber enquadrada por ela me põe um sentimento apertado.
Me agarro em suportável penúria e um incontrolável desejo de não acordar,
se não fosse,
gritaria,
ainda que impedida por ela de ser ouvida.
Não suportando mais o confinamento no quadrado engenhosamente programado
para guardar meus sonhos
abro a janela,
liberto-me da escuridão guardiã do sono interrompido e
permito a intromissão do acordar.

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